Capítulo 1
A Partida
Numa era onde tudo parecia ser belo, mágico e grandioso nas terras de Baelon o cometa J’tahr Neleth Bjork Kalahdelohr cortou mais uma vez os céus com sua cauda rubra trazendo nela a profecia da guerra que findaria aquela era e daria início a uma nova. As raças se prepararam mais uma vez. Conselhos de sábios e reis se reuniram, as antigas ordens foram restauradas, armas reforjadas. A guerra era iminente.
De um canto a outro do continente, exércitos se mobilizavam e preparavam suas antigas fortalezas para a Grande Guerra que decidiria qual a Rei seria o Senhor Supremo das Terras de Baelon. Isso traria à sua casa e à sua raça Honra! Pelo menos era isso que era dito pelos Anciãos sempre que o cometa surgia novamente a cortar a imensidão azul que era o céu.
Os Elfos faziam seus preparativos nas imensas florestas de Lilith. Preparavam suas flechas e espadas afiadíssimas de Ferro da Lua, como chamavam o metal mágico que usavam em suas forjas. Preparavam suas armaduras de Mithral, o metal mais leve e resistente de Baelon e convocavam novamente a ordem dos Irmãos da Floresta para comandar seu exército.
Os Homens, que tinham tido Gondar de Termotéia como último Senhor Supremo de Baelon na ordem de sucessão, guarneciam suas imensas fortalezas de pedra crua e cinzenta com milhares de guerreiros e armas. Reorganizavam e treinavam novos jovens para montar as bestas aladas que davam nome à Ordem dos Cavaleiros de Dragão.
Os anões reabriam os antigos túneis subterrâneos que ligavam as montanhas de Rorkrentekir, a capital de sua nação com o restante de suas fortalezas e cidades subterrâneas e reuniam-se em seus demorados conselhos políticos para nomear os representantes de cada Clã, para que estes, juntos, pudessem guiar seu povo para a guerra com os mais bem trabalhados equipamentos.
Os clãs dos anões eram muito focados em seus desígnios, e cada facção dessa enorme diminuta raça era responsabilizada, nos momentos das guerras, por alguma parte da produção. O Clã da Folha era o clã dos plantadores e agricultores, o da Pedra o dos pedreiros e engenheiros, o do Aço dos ferreiros, o do Sangue dos guerreiros, o do Ouro dos mercadores, e assim por diante. E todos os anões acreditavam que isso era um desígnio de seu antigo Deus Temyr.
Na verdade, quase todos…
- Mormek! Você não pode sair de casa para se tornar um cavaleiro! – A mãe dele gritava do lado da lareira, agitando a colher de pau enquanto ele se debruçava sobre um prato de assado.
O pai dele estava do outro lado da mesa, vestido em seu avental de couro remendado imundo de cinzas. Tinha tirado as grossas luvas, estas repousavam ao lado de seu prato. Velas e tochas ajudavam a lareira a iluminar toda a cozinha. A presença do aço refletindo o fogo bruxuleante em quase todos os objetos de lá denunciava automaticamente a proveniência deles do Clã do Aço.
Mas ainda assim, se isso não fosse o suficiente para provar seu lugar no Clã, os quadros dos antepassados homens de seu pai, pendurados perto da porta, deveriam ser. Os quatro mais próximos da dispensa mostravam, cada um, um anão de avental em poses altivas exibindo seus malhos. Uma quinta moldura exibia uma tela rasgada lembrando a vergonha que foi seu tataratataratataravô ao, na era anterior, deixar seu posto de ferreiro chefe para tornar-se músico.
- Mãe – disse ele, contidamente. – Eu vou me tornar um cavaleiro, você verá. E serei o anão mais honrado desse e de qualquer outro clã. Montarei um dragão e lutarei ao lado de nosso rei na Grande Guerra! - Terminou ele, bradando, sacudindo a colher e atirando gotas do caldo no rosto de seu pai.
Ele ouviu-o bufar, e virou-se para encará-lo.
- Dragões são coisas de humanos moleque. – Repreendeu-o o pai, do jeito rouco e calmo que falava sempre, enquanto limpava o rosto com a mão grossa e gorducha. Deixando a coxinha que devorava na beira do prato. – O seu lugar é aqui. Conosco, na forja… Nada vai trazer mais honra a um anão do Clã do Aço do que o próprio Aço. Segurar um malho com força e dar com ele numa barra de ferro incandescente! Isso sim é o que deve fazer...
- Isso mesmo Mork, diga para ele! – Rugiu a mãe em apoio.
- Estou dizendo benzinho... – resmungou o pai. – Agora já me perdi. Enfim... Mormek... se busca por honra, fique aqui, onde é o seu lugar.
- Mas pai! Eu quero ser um cavaleiro! Eu quero lutar com uma espada, não fazer uma!
O pai voltou a morder a coxinha, sem saber como expressar seu desapontamento. A mãe voltou a mexer na panela. Mormek terminou a refeição. Estavam todos em total silêncio, a única coisa que se ouvia era o borbulhar do ensopado fervendo sobre a lareira, ele desceu da cadeira e foi até seu quarto.
Lá recolheu suas coisas, vestiu a cota de malha que ele mesmo tinha feito em algum momento da vida durante seus anos de aprendizado com o pai. Pôs sua mochila repleta de roupas e comidas secas para a viagem nas costas, atou um cantil e um saco de dormir a ela, apanhou a espada pendurada pela bainha num gancho na parede e voltou para a cozinha.
Pronto para partir.
- Mãe, pai... Muito obrigado por tudo, mesmo! Mas eu sinto que este não é o meu lugar, eu vou me tornar um cavaleiro! Vocês verão! O maior de todos!
Sua mãe virou-se, uma lágrima marcava-lhe a maçã do rosto e ia perder-se em sua barba.
- Por favor Mormek – disse ela indo até ele. – Não vá!
Ela prendeu suas mãos nas dela olhando-o nos olhos. Ele sentia-se triste por deixá-los, mas sabia que era o que precisava fazer. O que queria fazer!
- Desculpe mãe... eu vou – Ele soltou suas mãos das dela e dirigiu-se para a porta. Abriu-a, deparando-se com o quadro rasgado.
- Mork, diga alguma coisa! – Suplicou a mãe.
- Não tenho mais nada a dizer – resmungou o pai sem levantar os olhos da mesa. – Vá e lembre-se do velho Bohr...
- Eu não vou ser cantor pai... vou ser um Cavaleiro!
Mormek bateu a porta atrás de si, e atravessou as longas e altas galerias pedregosas da grande cidade de Rorkrentekir, passou pelo estábulo e pegou um bode das montanhas, que o levaria mais depressa até a Estrada dos Homens, de onde seguiria para Olívar, a cidade humana mais próxima.
Sugestões, Pedidos e Dúvidas
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Agradeço pelas visualizações, mas agradecerei ainda mais pela participação no trabalho! Sintam-se livres para comentar e participar da construção das obras que serão para todos nós!
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13 de novembro de 2013
30 de outubro de 2013
(Ideias para uma Animação) A Saga de Mormek - Construção de Personagem
Nome - Rehlar
Raça - Elfo
Idade - 347
Ocupação - Mago
Descrição Física – 160cm, Loiro, magro.
Habilidades – Pegar a mulher mais bonita do recinto... Sempre.
História – Rehlar, enquanto uma criança elfa foi instruída nas artes da sabedoria, da ponderância, da paciência. Aprendeu as músicas mágicas de seu povo, as palavras antigas e viveu todos os anos necessários para tornar-se adulto. Seu pai era um dos magos mais poderosos de seu povo, que lutou há três eras ao lado do Rei Voleth Gaduhr e ensinou ao seu filho as artes mágicas de sua raça.
Rehlar sempre, desde pequeno, teve uma queda por mulheres bonitas, por algum motivo nunca pôde se concentrar adequadamente quando houvesse uma mulher de aparência respeitável a menos de cem metros dele. Sempre tentava aproximar-se, charmoso como era, exímio galanteador, bom com as palavras, poucas podiam resistir a todo o encanto de Rehlar.
Ele não era tão sábio, nem tão paciente e nem tão ponderado quanto os elfos deviam ser. Além disso era míope, e ficou surdo de um ouvido quando um marido ciumento tentou acertá-lo com um canhão ao vê-lo saindo do quarto de sua mulher...
Rehlar não compreendia o ciúme, acreditava que não deveria haver relacionamentos permanentes, porquê não aproveitar o que o mundo nos pode oferecer? Os anciãos ensinavam coisas como compartilhar, dividir, integrar-se com o restante dos indivíduos e com a natureza... por que não seguir isso com o restante das pessoas do sexo oposto?
Sua vida seguiu por anos alternada entre sexo e estudos, ele preferia dar ênfase ao sexo. Partiu em busca de aventuras, e proteção contra os homens que compartilhavam do tal terrível sentimento que ele repudiava. Depois de já ter compartilhado sua natureza com todas as elfas que conhecia, foi em busca das humanas. Para seu pai ele estava indo desenvolver suas aptidões mágicas, ele julga que o tenha feito. Aprendeu a tirar flores das partes mais inusitadas do corpo de uma mulher. Conseguiu enriquecer tirando moedas do ouvido de um jogador de cartas. Passou a encantar mulheres em menos de 3 segundos, com magias não verbais. Ele conseguia desaparecer de quartos sem ser notado, às vezes até conseguia retornar sem nenhuma complicação. Teleportar-se de um armário a outro, de casa em casa e cama em cama.
Durante suas viagens aprendeu e ensinou muito. Mas causou fins de casamentos, deixou para trás corações partidos, maridos furiosos, mulheres apaixonadas, virgens desvirginadas e reis ensandecidos. Por isso era melhor para a saúde instável dele, que permanecesse mudando de ambiente, mudando de ares e climas.
Raça - Elfo
Idade - 347
Ocupação - Mago
Descrição Física – 160cm, Loiro, magro.
Habilidades – Pegar a mulher mais bonita do recinto... Sempre.
História – Rehlar, enquanto uma criança elfa foi instruída nas artes da sabedoria, da ponderância, da paciência. Aprendeu as músicas mágicas de seu povo, as palavras antigas e viveu todos os anos necessários para tornar-se adulto. Seu pai era um dos magos mais poderosos de seu povo, que lutou há três eras ao lado do Rei Voleth Gaduhr e ensinou ao seu filho as artes mágicas de sua raça.
Rehlar sempre, desde pequeno, teve uma queda por mulheres bonitas, por algum motivo nunca pôde se concentrar adequadamente quando houvesse uma mulher de aparência respeitável a menos de cem metros dele. Sempre tentava aproximar-se, charmoso como era, exímio galanteador, bom com as palavras, poucas podiam resistir a todo o encanto de Rehlar.
Ele não era tão sábio, nem tão paciente e nem tão ponderado quanto os elfos deviam ser. Além disso era míope, e ficou surdo de um ouvido quando um marido ciumento tentou acertá-lo com um canhão ao vê-lo saindo do quarto de sua mulher...
Rehlar não compreendia o ciúme, acreditava que não deveria haver relacionamentos permanentes, porquê não aproveitar o que o mundo nos pode oferecer? Os anciãos ensinavam coisas como compartilhar, dividir, integrar-se com o restante dos indivíduos e com a natureza... por que não seguir isso com o restante das pessoas do sexo oposto?
Sua vida seguiu por anos alternada entre sexo e estudos, ele preferia dar ênfase ao sexo. Partiu em busca de aventuras, e proteção contra os homens que compartilhavam do tal terrível sentimento que ele repudiava. Depois de já ter compartilhado sua natureza com todas as elfas que conhecia, foi em busca das humanas. Para seu pai ele estava indo desenvolver suas aptidões mágicas, ele julga que o tenha feito. Aprendeu a tirar flores das partes mais inusitadas do corpo de uma mulher. Conseguiu enriquecer tirando moedas do ouvido de um jogador de cartas. Passou a encantar mulheres em menos de 3 segundos, com magias não verbais. Ele conseguia desaparecer de quartos sem ser notado, às vezes até conseguia retornar sem nenhuma complicação. Teleportar-se de um armário a outro, de casa em casa e cama em cama.
Durante suas viagens aprendeu e ensinou muito. Mas causou fins de casamentos, deixou para trás corações partidos, maridos furiosos, mulheres apaixonadas, virgens desvirginadas e reis ensandecidos. Por isso era melhor para a saúde instável dele, que permanecesse mudando de ambiente, mudando de ares e climas.
26 de outubro de 2013
(Ideias para uma Animação) A Saga de Mormek - Construção de Personagem
Nome - Tchunk
Raça - Orc
Idade - 22
Ocupação - Ladrão
Descrição Física – 230cm, careca, peludo
Habilidades: Força descomunal, e uma sutileza desconcertante
História – Os pais de Tchunk eram escravos de uma fortaleza humana no coração de Baelon. Seu pai era cavalariço e sua mãe copeira de um senhor, para eles, terrível, chamado Willem de Calhart. Tinham sido capturados em sua tribo, numa incursão humana em busca de escravos. Ele nasceu dentro dos muros da fortaleza, num estábulo, numa manjedoura. Em todos estes lugares. Bebês orcs demoram a sair, são grandes demais.
Durante a infância Tchunk cresceu revoltado com os guardas que maltratavam sua raça, seus pais, e ele. O punham para quebrar pedras, cavar buracos, carregar tijolos, afiar armas... que escolha ruim fizeram. Os orcs são criaturas grandes, fortes e desastradas. Tchunk tinha todos esses adjetivos maximizados. Logo voltarei a isso.
Quando podia, adentrava as cozinhas e roubava legumes, carne, batatas, grãos. Enfim... comida. Levava para seus pais. No início eles o repreendiam por estar roubando, mas logo passaram a precisar daquela comida, quando Willem reforçava a carga de trabalho e mantinha a papa de cereais que eram entregues em porções ínfimas como refeição única. Quando as cozinhas começaram a ficar muito vigiadas, ou quando estavam fechadas, ele intimidava meninos menores para fazerem alguma de suas tarefas enquanto ele deixava o castelo para conseguir comida, roupas e ferramentas nas cercanias da cidade.
Muitas vezes ele foi perseguido, por cães, guardas, ambos juntos. Mas nunca descobriram quem era, pois usava um manto roubado de um príncipe gordo que fora brincar com os filhos de Willem em um rio, junto dos guardas e alguns escravos que os serviam e os guardavam, e teve de sair enrolado na capa de um dos homens de Willem, já que, provavelmente um guaxinim, tinha roubado suas roupas. Usava também uma máscara negra.
Muito discreto.
Sempre discreto.
Certa vez foi pego, e preso, ficou algumas semanas sem voltar para casa, quase seis meses. Foi maltratado na prisão, mas já era forte o bastante para se defender do restante dos homens de lá. Fez um amigo, um humano, que se mostrou disposto a ajudar, a rir de suas tolices, e ensiná-lo alguns pequenos truques, em troca, o orc ajudou-o a fugir da prisão... e não o vira mais. E talvez aqueles dias que passara sem comida e apanhando tenham sido por conta de seu amigo, mas preferia pensar que os guardas eram uns malditos, bastardos, imundos!
Voltando ao ato de afiar armas no castro de Calhart, Tchunk, já com seus dezessete anos, forte como um homem muito forte, descobriu que sua mãe estava muito machucada por conta da punição de um soldado, e seu pai doente pelo excesso de trabalho e falta de comida. Quando teve uma oportunidade empurrou o soldado que tinha açoitado sua mãe contra uma parede, pronto para ensinar-lhe uma lição, mas este tropeçou numa cadeira e caiu sobre um cavalete de lanças e espadas recém afiadas. Ele não tentou mais se levantar. Nunca mais.
Tchunk ficou desesperado, escondeu o corpo da melhor forma possível e correu até seus pais para contar o que havia acontecido. Sabiam que se permanecesse ali, mais cedo ou mais tarde, descobririam. Os três fugiram à noite. Seu pai roubou um cavalo para sua mãe ir sobre ele, ferida como estava. Tchunk roubou uma maça e escondeu-a. Já quase fora da cidade dois guardas tentaram impedi-los de sair. Tchunk esmagou os crânios dos dois juntos, com as mãos, os pôs sentados, recostando-os numa árvore, e partiu com seus pais floresta e noite adentro.
Sabiam que seu antigo vilarejo não existia mais. Passaram algum tempo caçando e vivendo na floresta, mas os conhecimentos precários de medicina foram insuficientes para curar a gangrena que começou a se alastrar pelas costas açoitadas da mãe de Tchunk. Seu pai ficara sem comer bem durante o tempo que estivera preso e por isso estava desnutrido e fraco. Sua mãe não resistiu às dores e faleceu duas semanas depois de caminhada e acampamento na floresta, seu pai, alguns dias depois de sua mãe partir começou a ter febre altíssima e não resistiu. Disse para Tchunk continuar sua vida, encontrar algum lugar para viver...
Tchunk estava bravo. Ele não entendia como seus pais tinham o deixado. Também estava faminto, conhecia pouquíssimo da vida na floresta, precisava encontrar uma cidade. Num vilarejo conseguiu algumas roupas inteiras, pão duro e leite. E na estrada encontrou um meio de sobreviver. Alguns bandidos tinham-no parado para assaltá-lo, mas se frustraram ao ver do que se tratava: um orc maltrapilho. Tchunk segurou a maça até suas juntas ficarem pálidas, e olhou para os bandidos com olhos fundos e ameaçadores. Passou a fazer parte deles. Engordou, aprendeu algumas manhas de bandido, e conseguiu fugir quando derrubou uma pilha de troncos para lenha sobre os soldados que corriam atrás dele enquanto outros levavam presos seus companheiros.
Seguindo viagem, chegou até uma cidadezinha, com o dinheiro que tinha levado dos bandidos quando eles foram presos. Comprou um casebre e comia sempre na taverna... seu dinheiro foi acabando... precisava de mais. E só existe uma coisa que ele faz, além de ser absurdamente forte: roubar.
Raça - Orc
Idade - 22
Ocupação - Ladrão
Descrição Física – 230cm, careca, peludo
Habilidades: Força descomunal, e uma sutileza desconcertante
História – Os pais de Tchunk eram escravos de uma fortaleza humana no coração de Baelon. Seu pai era cavalariço e sua mãe copeira de um senhor, para eles, terrível, chamado Willem de Calhart. Tinham sido capturados em sua tribo, numa incursão humana em busca de escravos. Ele nasceu dentro dos muros da fortaleza, num estábulo, numa manjedoura. Em todos estes lugares. Bebês orcs demoram a sair, são grandes demais.
Durante a infância Tchunk cresceu revoltado com os guardas que maltratavam sua raça, seus pais, e ele. O punham para quebrar pedras, cavar buracos, carregar tijolos, afiar armas... que escolha ruim fizeram. Os orcs são criaturas grandes, fortes e desastradas. Tchunk tinha todos esses adjetivos maximizados. Logo voltarei a isso.
Quando podia, adentrava as cozinhas e roubava legumes, carne, batatas, grãos. Enfim... comida. Levava para seus pais. No início eles o repreendiam por estar roubando, mas logo passaram a precisar daquela comida, quando Willem reforçava a carga de trabalho e mantinha a papa de cereais que eram entregues em porções ínfimas como refeição única. Quando as cozinhas começaram a ficar muito vigiadas, ou quando estavam fechadas, ele intimidava meninos menores para fazerem alguma de suas tarefas enquanto ele deixava o castelo para conseguir comida, roupas e ferramentas nas cercanias da cidade.
Muitas vezes ele foi perseguido, por cães, guardas, ambos juntos. Mas nunca descobriram quem era, pois usava um manto roubado de um príncipe gordo que fora brincar com os filhos de Willem em um rio, junto dos guardas e alguns escravos que os serviam e os guardavam, e teve de sair enrolado na capa de um dos homens de Willem, já que, provavelmente um guaxinim, tinha roubado suas roupas. Usava também uma máscara negra.
Muito discreto.
Sempre discreto.
Certa vez foi pego, e preso, ficou algumas semanas sem voltar para casa, quase seis meses. Foi maltratado na prisão, mas já era forte o bastante para se defender do restante dos homens de lá. Fez um amigo, um humano, que se mostrou disposto a ajudar, a rir de suas tolices, e ensiná-lo alguns pequenos truques, em troca, o orc ajudou-o a fugir da prisão... e não o vira mais. E talvez aqueles dias que passara sem comida e apanhando tenham sido por conta de seu amigo, mas preferia pensar que os guardas eram uns malditos, bastardos, imundos!
Voltando ao ato de afiar armas no castro de Calhart, Tchunk, já com seus dezessete anos, forte como um homem muito forte, descobriu que sua mãe estava muito machucada por conta da punição de um soldado, e seu pai doente pelo excesso de trabalho e falta de comida. Quando teve uma oportunidade empurrou o soldado que tinha açoitado sua mãe contra uma parede, pronto para ensinar-lhe uma lição, mas este tropeçou numa cadeira e caiu sobre um cavalete de lanças e espadas recém afiadas. Ele não tentou mais se levantar. Nunca mais.
Tchunk ficou desesperado, escondeu o corpo da melhor forma possível e correu até seus pais para contar o que havia acontecido. Sabiam que se permanecesse ali, mais cedo ou mais tarde, descobririam. Os três fugiram à noite. Seu pai roubou um cavalo para sua mãe ir sobre ele, ferida como estava. Tchunk roubou uma maça e escondeu-a. Já quase fora da cidade dois guardas tentaram impedi-los de sair. Tchunk esmagou os crânios dos dois juntos, com as mãos, os pôs sentados, recostando-os numa árvore, e partiu com seus pais floresta e noite adentro.
Sabiam que seu antigo vilarejo não existia mais. Passaram algum tempo caçando e vivendo na floresta, mas os conhecimentos precários de medicina foram insuficientes para curar a gangrena que começou a se alastrar pelas costas açoitadas da mãe de Tchunk. Seu pai ficara sem comer bem durante o tempo que estivera preso e por isso estava desnutrido e fraco. Sua mãe não resistiu às dores e faleceu duas semanas depois de caminhada e acampamento na floresta, seu pai, alguns dias depois de sua mãe partir começou a ter febre altíssima e não resistiu. Disse para Tchunk continuar sua vida, encontrar algum lugar para viver...
Tchunk estava bravo. Ele não entendia como seus pais tinham o deixado. Também estava faminto, conhecia pouquíssimo da vida na floresta, precisava encontrar uma cidade. Num vilarejo conseguiu algumas roupas inteiras, pão duro e leite. E na estrada encontrou um meio de sobreviver. Alguns bandidos tinham-no parado para assaltá-lo, mas se frustraram ao ver do que se tratava: um orc maltrapilho. Tchunk segurou a maça até suas juntas ficarem pálidas, e olhou para os bandidos com olhos fundos e ameaçadores. Passou a fazer parte deles. Engordou, aprendeu algumas manhas de bandido, e conseguiu fugir quando derrubou uma pilha de troncos para lenha sobre os soldados que corriam atrás dele enquanto outros levavam presos seus companheiros.
Seguindo viagem, chegou até uma cidadezinha, com o dinheiro que tinha levado dos bandidos quando eles foram presos. Comprou um casebre e comia sempre na taverna... seu dinheiro foi acabando... precisava de mais. E só existe uma coisa que ele faz, além de ser absurdamente forte: roubar.
23 de outubro de 2013
(Ideias para uma Animação) A Saga de Mormek - Construção de Personagem
Geroge Haltón de Manterrión, O Bardo
Raça - Humano
Idade - 19
Ocupação - Bardo
Descrição Física – 180cm, magricela, mudo
Habilidades - Belíssima voz, Grande Músico, Bom Orador, Inteligente e Culto, Astuto e Sagaz
História – Criado na corte de Manterrión George teve a oportunidade de crescer cercado por músicos e pantomimeiros. Ele era protegido do Senhor Carlos Manterrión, pois foi largado pelos pais na porta do grande castelo Manterrión e a senhora Hélia o tomou para si, já que não conseguia dar a Carlos um herdeiro e o criou como se fosse seu filho. Ela o ensinou a ler e escrever, contou-lhe histórias do mundo, ensinou-lhe canções diversas. Logo descobriram que tinha uma facilidade imensa com instrumentos musicais em geral e sua voz era bela e suave e afinada... Uma voz magnífica! Era o que costumavam dizer.
Hélia e ele passavam dias nos jardins brincando, e na grande biblioteca estudando. Ele adorava ler com ela. Contudo ela morreu quando ele tinha dez anos. Durante a adolescência George desenvolveu sua música e suas habilidades teatrais junto aos artistas que passavam sempre por lá, com seus grupos de teatro e suas trupes.
Carlos o criou como filho durante quase toda a vida, e tornou-se seu mecenas, pagou-lhe viagens para vários cantos do mundo onde se apresentava e ganhava prêmios, comprou-lhe roupas caras, ensinou-lhe as histórias dos reinos, até a lutar, mas nisso não se mostrou muito apto. Após a morte de Hélia era Carlos que passava a maior parte do tempo com George até arranjar uma nova esposa, Marta da casa de Golão. Ele tinha completado quinze anos quando o filho de Manterrión, Marlos, uma mistura tosca do nome dos pais, foi trazido à luz. E agora que havia um verdadeiro herdeiro não fazia mais sentido ser tratado tão bem quanto era... e tampouco desejara um trono.
Ele uniu-se a um grupo de pantomimeiros e voltou a viajar pelas terras com seu bandolim e o restante dos integrantes da trupe. Seu nome passou a ser tão conhecido que sempre que sua trupe parava em uma cidade todos os homens e mulheres, de pescadores e cortesãs aos nobres mais ricos da cidade, paravam para ver seus shows. Ele foi requisitado em diversas apresentações particulares, em castros e jardins, casamentos e partos. Certo dia, contudo, como sempre há de haver um que mude a vida de um homem, em uma apresentação no teatro de Riodourado, cantou uma canção de escárnio referente às rameiras que foram para a cama com Gorbe, filho de Gor, guardião da fortaleza de Petérem, uma canção conhecida nos bares e docas mais sujas de Baelon, e que costumam arrancar boas gargalhadas da platéia. Mas naquele dia, não esperava encontrar o protagonista da canção sentado à sua frente com seus guardas atrás de si.
Ele fugiu e o restante da sua trupe partiu sem ele. Deixou aquela cidadezinha para nunca mais voltar. Viajou por cidades menores sem nunca mais dizer uma única palavra para que não o reconhecessem. Em algum momento encontrou um tamborete e passou a apresentar-se numa taverna, buscando a cada novo dia um motivo para deixá-la e aventurar-se pelo mundo novamente, conhecer o que ele ainda não conhece, ou o que Hélia lhe dizia que existia quando era pequeno e ainda não havia visto.
20 de outubro de 2013
(Ideias para uma Animação) A Saga de Mormek - Introdução
Há muito tempo atrás um mal terrível vindo dos céus assolou as Terras de Fogo, onde viviam os homens: as temperaturas se elevaram como nunca antes, a luz do sol avançava arruinando tudo em seu caminho com o fogo. Baelon, um indivíduo valente, conseguiu cruzar os desertos guiando um grande grupo de pessoas até o mar, onde, com um navio, o atravessou e alcançou as terras que viriam a ser chamadas de Terras de Baelon. Onde moravam também elfos e anões, e outras criaturas encantadas ou não. E lá os humanos reconstruíram seus lares.
Isso é o que contam as lendas.
O fato é que já faz tanto tempo que os humanos chegaram até aí, após centenas de anos passados, e milhares de casas construídas ao sul é que os elfos e anões se deram conta do que ocorria fora de seus reinados. À essa altura nem mesmo os humanos lembravam-se a razão que os levara até aí.
Foi quando as criaturas, que iam sendo pouco a pouco expulsas de suas terras pelos humanos, começaram a buscar novos lares nas terras élficas e anãs que eles se deram conta de que algo estava muito errado. Nesta época o cometa rasgou os céus, e nesta época começou a guerra. E a verdade é que o nome do primeiro a atirar uma flecha contra um anão, pondo a culpa num elfo, era Baelon, o Senhor, que guiou os humanos para a batalha mais sangrenta e duradoura de todos os tempos: A Primeira Guerra.
Um número incontável de vidas, até mesmo para os que sabiam contar à partir de um milhão, foram perdidas: élficas, anãs, humanas... e das outras raças também. E o que restou destes povos recomeçou suas histórias tendo aquele grande acontecimento como marco precursor. E como uma funesta tradição a guerra recomeçava sempre que o cometa surgia novamente no infinito celeste.
Ao longo do tempo estabeleceram-se normas para estas guerras interraciais.Os senhores de cada uma delas negociaram e entraram em um acordo criando o Livro de Regras e Anais de Guerras. Cujo título causou a princípio muitas confusões entre os leigos. E assim sucederam-se períodos de paz e períodos de guerra, onde as raças se preparavam mais uma vez, em busca de glória, poder... e só.
É basicamente por isso que eles buscam.
E ganha a guerra aquele que conseguir ficar por último no alto da torre da Fortaleza Dourada.
Sim, é essa a condição mesmo...
Mesmo, posso continuar? Obrigado.
Ao longo do tempo os reinos dos elfos, humanos e anões acabaram se ramificando, por conta de questões políticas internas, e a Grande Guerra passou a mobilizar cada vez menos pessoas. Embora ainda fosse um grande evento, e porventura todos acabassem sendo atingidos pela atmosfera do conflito, ainda havia vida em meio a guerra.
O interesse passava a ser cada vez mais dos senhores humanos que tinham se dividido em 7 reinos. Os elfos e anões permaneciam reclusos em seus ambientes naturais, envolvendo-se pouco com a guerra, o bastante para manterem seus territórios e fronteiras protegidos. E assim o espaço da guerra envolvia geralmente os 7 reis que disputavam pela honra de governar os 7 reinos, e trazer fama ao seu nome e à sua família.
Isso é o que contam as lendas.
O fato é que já faz tanto tempo que os humanos chegaram até aí, após centenas de anos passados, e milhares de casas construídas ao sul é que os elfos e anões se deram conta do que ocorria fora de seus reinados. À essa altura nem mesmo os humanos lembravam-se a razão que os levara até aí.
Foi quando as criaturas, que iam sendo pouco a pouco expulsas de suas terras pelos humanos, começaram a buscar novos lares nas terras élficas e anãs que eles se deram conta de que algo estava muito errado. Nesta época o cometa rasgou os céus, e nesta época começou a guerra. E a verdade é que o nome do primeiro a atirar uma flecha contra um anão, pondo a culpa num elfo, era Baelon, o Senhor, que guiou os humanos para a batalha mais sangrenta e duradoura de todos os tempos: A Primeira Guerra.
Um número incontável de vidas, até mesmo para os que sabiam contar à partir de um milhão, foram perdidas: élficas, anãs, humanas... e das outras raças também. E o que restou destes povos recomeçou suas histórias tendo aquele grande acontecimento como marco precursor. E como uma funesta tradição a guerra recomeçava sempre que o cometa surgia novamente no infinito celeste.
Ao longo do tempo estabeleceram-se normas para estas guerras interraciais.Os senhores de cada uma delas negociaram e entraram em um acordo criando o Livro de Regras e Anais de Guerras. Cujo título causou a princípio muitas confusões entre os leigos. E assim sucederam-se períodos de paz e períodos de guerra, onde as raças se preparavam mais uma vez, em busca de glória, poder... e só.
É basicamente por isso que eles buscam.
E ganha a guerra aquele que conseguir ficar por último no alto da torre da Fortaleza Dourada.
Sim, é essa a condição mesmo...
Mesmo, posso continuar? Obrigado.
Ao longo do tempo os reinos dos elfos, humanos e anões acabaram se ramificando, por conta de questões políticas internas, e a Grande Guerra passou a mobilizar cada vez menos pessoas. Embora ainda fosse um grande evento, e porventura todos acabassem sendo atingidos pela atmosfera do conflito, ainda havia vida em meio a guerra.
O interesse passava a ser cada vez mais dos senhores humanos que tinham se dividido em 7 reinos. Os elfos e anões permaneciam reclusos em seus ambientes naturais, envolvendo-se pouco com a guerra, o bastante para manterem seus territórios e fronteiras protegidos. E assim o espaço da guerra envolvia geralmente os 7 reis que disputavam pela honra de governar os 7 reinos, e trazer fama ao seu nome e à sua família.
11 de agosto de 2013
Livro Publicado (Infanto-Juvenil) - Os cavaleiros de Porten Quauss
Excerto do Livro
Prelúdio
Da investidura cavalheiresca
Faltou caridade, lealdade, justiça e verdade no mundo; começou inimizade, deslealdade, injúria, falsidade; e por isso surgiu erro e turvamento no povo de Deus, que foi criado para que Ele fosse amado, conhecido, honrado, servido e temido pelo homem.
Para manter a ordem, de cada povo foram convocados mil homens, a estes homens foram dirigidas provas para testar-lhes as habilidades corporais, mentais e eclesiásticas. Sua vontade e sua força foram ratificadas e destes foi eleito apenas um em cada feudo; o mais amável, mais sábio, mais leal, mais forte, e com a mais nobre coragem, com mais ensinamentos e de bons modos que todos os outros.
Cavaleiros! É como passaram a ser chamados, cavalgavam em belos cavalos, envergando belíssimas armaduras, carregando a honra de seu senhor por onde fosse, espalhando a paz e a ordem pelo reino dos homens.
Eles seguiam um código extenso e detalhado sobre como deveria ser sua conduta, obedeciam de olhos fechados as ordens de seus senhores, eram vistos como exemplos pelos garotos que os viam passar pelas ruas de suas cidades.
O cavaleiro era uma figura nobre de tremendo poder, ligado à um senhor de terras que lhe dava ordens a serem cumpridas. Montava um cavalo, pois era uma besta magnífica e agüentava o esforço das longas andanças sob o peso dos equipamentos do homem que o montava.
Por vezes estes homens eram acompanhados por aprendizes, podiam ser pajens quando ainda muito novos – por volta dos seus sete anos –, ou escudeiros, como eram chamados mais tarde. Eles tinham a função de cuidar dos cavalos e do cavaleiro, carregar suas armas, afiá-las, mantê-los alimentados e saudáveis, lutar ao lado do cavaleiro quando necessário, ou ajudá-lo a fugir se as circunstâncias assim demandassem.
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- Contudo, nosso conto não se trata destes tais cavaleiros...
Ato 1
Da fraqueza, pobreza, e da esperteza
Ato 1
Caminhando pelos campos dourados de trigo, passando pela estrada que cortava a enorme plantação, Henrich Höfell um cavaleiro alemão, avistou, ao longe, uma capa esvoaçando e pôde ouvir o trotar veloz de um leve cavalo, preparado para percorrer grandes distâncias em pouco tempo.
Henrich posicionou-se, segurando o punho de sua espada, que balançava junto à sua coxa enquanto ele acelerava o passo na direção do homem que se aproximava rapidamente à galope. Ele agora podia notar também um estandarte que o estranho trazia consigo.
Quando chegaram suficientemente perto um do outro o homem parou puxando os freios de seu cavalo malhado enquanto Henrich desembainhava a espada e perguntava:
- Quem és tu que se aproxima de minha cidade, trajando armaduras e trazendo armas?
Ao que o homem respondeu:
- Saia da frente plebeu, pois tenho uma mensagem importante para entregar ao seu senhor. E abaixe esta espada caso não queira se encrencar – ele tinha um sotaque estranho, arrastava os esses e dava uma entonação diferente às palavras.
- A quem ousas chamar de plebeu? – Perguntou Henrich irado, balançando a espada ameaçadoramente. – Sou Henrich Höfell, cavaleiro de Riosmil, à serviço de meu Senhor.
- Cavaleiro? – Perguntou o homem descrente. – Onde está então sua armadura, o resto de suas armas, seu cavalo e sua gloriosa imponência cavalheiresca?
De fato Henrich não era bem um dos mais abastados, mais fortes ou mais sábios cavaleiros, mas ainda assim era um e honraria seu título.
- Sim! Sou o cavaleiro Henrich Höfell, e digo para que entregues esta tal mensagem à mim, e eu me certificarei de encaminhá-la para meu Senhor.
~*~*~*~
Mesmo com a face já rubra de vinho, Afonso de Magalhães, nobre português, continuava a virar caneco atrás de caneco goela abaixo, enquanto fanfarronava na taverna com companheiros que acabara de conhecer, um grupo de artesãos que se encontraram aí ao entardecer para prosear e gastar as moedas que tinham conseguido naquele dia de trabalho.
Ele cantava alegre com o restante dos homens que faziam a taverna vibrar alegremente, ao som de um alaúde e uma flauta que dois jovens tocavam preciosamente. Mulheres andavam de um lado para o outro, vestidas com tecidos finos de cores vibrantes, sempre muito carismáticas e bem humoradas, como todos no lugar.
Durante um entra e sai da taverna, um homem trajando um peitoral de metal, com uma espada curta embainhada presa em sua cinta chama a atenção dos homens que lá estavam, enquanto alguns, sem mais nem menos, pulam pela janela recolhendo rapidamente seus dados e sacos de moedas, deixando para trás seus pratos e copos ainda cheios.
- Estou à procura de Afonso de Magalhães – anunciou o mensageiro. – disseram-me que poderia encontrá-lo aqui! – Ele gritou para que todos ouvissem, alguns riram de seu sotaque e de seus finos bigodes, já que lá quase todos cultivavam fartas cabeleiras sobre seus corpulentos narizes.
- Sou eu quem procuras – respondeu Afonso de onde estava, sem se levantar.
- És tu o Senhor de Fartasuvas?
- Sim, sou eu mesmo por quê?
- N... nada... – respondeu ele aproximando-se lentamente, sem confiar totalmente. – Sendo assim, trago-lhe uma mensagem.
~*~*~*~
Caleb, filho de Richard, o famosíssimo cavaleiro inglês, tinha acabado de acordar, fora despertado pelos gritos e reclamações de Emrick, um conhecido ladrão das redondezas, que tinha sido finalmente capturado.
- Afrouxa um pouco esta corda, está apertada demais! Meus ossos estão sendo esmagados!
- Cale-se, ladrãozinho de meia tigela, não conseguirá nada gritando desse jeito – respondia o cavaleiro enquanto vestia a armadura pra retornar à cidade, depois da perseguição do dia anterior. – Você merece isso, para aprender. É a justiça de Deus meu caro. Seus pecados serão julgados quando voltarmos à Névoademar e veremos se você continuará com suas gracinhas ao, na melhor das hipóteses, ser preso...
Uma milha de caminhada à frente, quando o sol começava a nascer Caleb avistou barracas na beira da estrada, uma fogueira acesa do lado de fora, no meio delas, e um número igual de cavalos pastando do lado de fora.
Teria atacado se não tivesse reconhecido o estandarte aliado panejando no centro do acampamento. Mostrava que era um grupo de mensageiros, retornando para a cidade.
Ao se aproximar pôde ver um homem sentado num toco de madeira perto do fogo, que rapidamente se levantou assustado com sua espada em mãos, cambaleou meio sonolento, mas ao reconhecer o cavaleiro guardou a arma, pedindo desculpas e fez uma enorme reverência. Dava para notar um leve tremor em seus joelhos.
- Não se preocupe com punições – disse Caleb, em tom bondoso. – Estava defendendo seu grupo, não há razões para temer... fazia seu trabalho, mas diga-me, o que trazem com vocês?
- Sir Caleb, temos uma mensagem para teu Senhor, veio de Bertrand, da França, vou buscá-la, volto em um segundo – disse, e entrou em uma das barracas, voltando logo em seguida com um rolo de pergaminho na mão, lacrado com cera e o símbolo de Bertrand.
- Muito obrigado...
- Mathew, Sir.
- Muito obrigado Mathew – E jogou uma moeda de prata para o rapaz, que a agarrou no ar, sorrindo radiante. – Continue fazendo seu bom trabalho.
- E este aí? – Perguntou o mensageiro. – Perdoe minha intromissão...
- Não há problema, pode perguntar... – Ele disse e puxou a corda que prendia Emrick, pelo pescoço, ao cavalo. – Este é Emrick, um ladrãozinho de meia tigela... Pode contar aos seus amigos que ele foi capturado, e que mais, tão logo, também serão!
~*~*~*~
Bertrand, 23 de junho de 1255
Saudações Senhores,
Venho a vós informar sobre um festival que haverá em minhas terras, no dia 30 de agosto, dia do meu aniversário. Uma competição cujo campeão poderá desposar minha bela filha Eveline e passará a fazer parte de nossa família assumindo também a posse de algumas de minhas terras, pois já não tenho tanto poder para dominá-las todas, e também, porque desejo que minha filha possa desfrutar de um bom lar para seus filhos, meus netos.
Convoco os nobres dispostos a competir por este belíssimo prêmio, e chamo louco aquele que não vier. Será aceito que mandem seus cavaleiros para competirem em seu lugar, mas apenas um nobre será aceito como noivo de minha querida, amada, bela, carinhosa, carismática, enigmática, engenhosa, e de tantas outras qualidades, filha.
A competição testará as habilidades de combate, de agilidade, de resistência física e mental, de astúcia e de conhecimentos práticos e intelectuais dos participantes. E o vencedor será, então, aquele mais apto a ter a chance de casar-se com minha filha, e visto que um cavaleiro pode representar seu senhor e que um senhor tem por escolha divina mais capacidade de mandar e desmandar nas terras, afinal, se, tendo o título de nobre o nobre tem, por decisão de Deus, que proteger e governar o povo para o caminho correto do bem, é justo que caso o cavaleiro de algum senhor vença o campeonato o prêmio seja transferido, assim, para o nobre responsável, dados os motivos explicitados acima.
Por isso desejo que todos venham, para que sejam postos à prova o real nobre mais dotado de casar-se com minha filha!
Aguardo a presença de todos, Rei Bertrand.
~*~*~*~
- Todos nossos três heróis leram as cartas, e todas diziam exatamente as mesmas coisas. E todos iriam, mesmo que por diferentes motivos, para Bertrand, nas terras da França, participar do torneio, e é lá que a verdadeira aventura toma rumo, mas aguardem por isso, pois ainda temos muito para saber, antes de irmos para a frança.
~*~*~*~
Quando Henrich terminou de ler a carta o mensageiro já tinha se despedido.
Feito seu trabalho já não tinha mais que se preocupar com o quão duvidoso era o suposto cavaleiro, mesmo que ele trouxesse com ele apenas uma cota de malha, uma espada longa e um escudo, enquanto comumente estes andassem com armaduras de placas, completas, elmos reluzentes, além de espadas, lanças, maças, machados... e o principal: UM CAVALO!!
O homem se dizia ser um cavaleiro e não tinha sequer um cavalo! Como isso era possível?
O mensageiro a princípio ficou receoso de que a mensagem não chegasse ao seu destino, mas acabou sendo convencido pela oratória motivadora e honrada do jovem alemão.
Henrich era um jovem de cerca de dezenove anos. Eleito cavaleiro de Riosmil, tinha sim, sido eleito por ser o mais bravo e honrado, e forte, e sábio e cumpria todos os pré-requisitos de um cavaleiro. O mais tudo... afinal... era o único em Riosmil disposto a lutar e dar a vida por seu senhor. Portanto ele foi O Um escolhido, a única diferença, era que só havia ele como opção.
Eram terras pacíficas como aquelas, especialmente Riosmil, cidade costeira banhada por diversos rios, tantos, à ponto de deixar a terra úmida por todo o ano, tornando Riosmil mais para Grandepântanofundoefedido. Não existem nem inimigos dispostos a atacar um feudo como este, até porque as lendas das criaturas que habitam os charcos são de pôr medo nas crianças e nos velhos, que contam para as crianças à gerações e gerações.
Henrich por sua vez amava sua terra. E lutava por ela com todas as suas forças, na verdade ele nunca tinha lutado por ela... mas lutaria se fosse necessário. Ao menos era o que ele dizia. Mas no fundo no fundo sabia que era verdade, sempre foi um homem muito honrado e cumpridor de sua palavra, e, se prometeu fidelidade à Riosmil, fiel a ela ele seria.
E foi isso que disse ao seu senhor antes de ser mandado depressa para a frança, para lutar em nome dele. Arrumaram para ele um bom cavalo, talvez o melhor da cidade, mas ainda assim não era grandes coisas, tal como as armas e a armadura preparadas de última hora pelo ferreiro Riosmilense.
Uma semana depois então, ele partiu!
~*~*~*~
- Um campeonato então... – Resmungou Afonso. – Eu irei... Obrigado pela carta meu jovem. Venha, tome um copo de vinho conosco.
Com aquela idade para ele todos eram jovens. A barba por fazer, pontilhada de fios grisalhos, os cabelos desgrenhados, a pança caindo sobre as coxas, a braguilha já aberta para não ter trabalho... marcas que demonstravam o tamanho desleixe com que vivia.
Afonso era mesmo o senhor de Fartasuvas, o problema é que Fartasuvas já não mais existia... Agora aquelas terras chamavam-se Vinhedos de Gaugueir, cujo dono atual tinha expulsado, com a ajuda de uns cem guerreiros apenas, Afonso e todo o povo que também não era muito. Os antigos habitantes tinham sido acolhidos pelo feudo de um primo do irmão do tio-avô de Afonso, um homem também já bem velho, mas bem mais saudável, inteligente... dentre outras diversas qualidades que não vêm ao caso serem citadas agora. Vamos nos focar nos nossos heróis.
Outro fato que vocês devem saber é que há um motivo para Afonso ter se tornado um tão mal senhor... Há muito tempo, quando ele ainda era jovem, sua mulher faleceu, e ele não arranjou nenhuma outra família disposta a casar alguém com ele. E que Afonso não tinha família, nem amigos nem nada de importante para ele.
Por isso sentava todo dia na taverna para beber, bancado pelo seu título de nobre. Nobre falido era o que era. Mas naquela época um nobre mesmo que sem dinheiro ainda tinha muitas regalias.
Agora, com a mensagem contida naquela carta Afonso tinha um novo objetivo. Partiria para a França, com a força de espírito, sem nada a perder. Afinal a única coisa que ainda não tinha perdido era a própria vida, e num campeonato as pessoas costumavam terminar continuando com as suas. Eram provas difíceis, mas nunca chegaram a ser mortais.
Afonso partiu no dia seguinte com os homens daquele feudo que também participariam do torneio.
~*~*~*~
Caleb e Emrick tomaram a estrada de volta para Névoademar, um feudo na costa da Inglaterra. Passaram por alguns campos de pastagem de ovelhas, onde seus donos recolhiam sua lã para a produção de tecidos nas cidades, em seguida tinham de atravessar o Bosque Escuro, que já não tinha mais motivos para ser chamado assim, agora que uma estrada pavimentada o cortava ligando os feudos próximos, mas ainda assim, muitos bandidos passavam por lá.
Caleb cavalgava à frente enquanto Emrick tentava acompanhar o galope do cavalo. Seguiam assim, em silêncio, até que em dado momento Caleb desmontou seu cavalo para urinar.
- Faz isso mais pra lá! – Reclamou o ladrão.
- Quieto! – Ordenou o cavaleiro. Que desafivelava sua calça de malha de ferro.
Emrick teve apenas dez segundos para alcançar a espada no alforje de Galhofas – o magnífico garanhão branco de Caleb – Cortar as cordas que prendiam suas mãos e correr na direção de seu raptor para acertá-lo em cheio na cabeça e derrubá-lo.
Quando o cavaleiro acordou estava atado ao tronco da árvore, de frente para a estrada, pelas cordas que antes prendiam Emrick. Enquanto este escrevia algo com um punhal na madeira sobre sua cabeça.
- ME SOLTE DAQUI! – Exigiu o cavaleiro.
- É melhor não – disse Emrick – você deve estar furioso!
- É CLARO QUE ESTOU FURIOSO– respondeu o cavaleiro irado. – QUANDO ME SOLTAR EU MESMO CORTAREI SUA CABEÇA!
- Ouso dizer que é um péssimo negociante, Sir Caleb – zombou. – Tente não falar comigo agora, pois já não escrevo muito bem, se o senhor me atrapalhar seus dizeres ficarão todos com uma péssima caligrafia.
- O que quer dizer? – Exigiu Caleb com raiva e curiosidade.
- Espere um segundo – disse Emrick. – Lerei para o senhor quando acabar, e então o senhor me dirá sua ilustríssima opinião.
- Claro... – disse a princípio, movido pela incrível lábia de Emrick, os papéis tão repentinamente tinham se invertido que a raiva que sentia se misturava com descrença e distração – Quer dizer, pare já com isso! Se me soltar prometo que te matarei rapidamente, sem dor!
- Claro, já que é assim... – caçoou o ladino, concentrado no toque final de seus dizeres – Guarde suas ofertas honrosas para aqueles que de honra não carecem... Ah, aqui! Está pronto. Ouça:
“Este é Caleb, filho de Richard, um cavaleirinho de meia tigela. Contem que ele foi pego de calças curtas, literalmente, por Emrick Verdetora, o maior ladrão de toda a Inglaterra!”
- Então, o que achou? – Ele perguntou à Caleb.
- Seu ladrãozinho imundo, vou acabar com a sua raça!
- Vou considerar isso como um “está ótimo, vejo que até usou algumas de minhas palavras, agradeço muito a homenagem”. Agora, se me dá licença...
- Ei, tire as mãos das minhas coisas!
Emrick se abaixava e retirava com “cuidado” o elmo da cabeça de Caleb... As suas botas metálicas, suas braçadeiras e suas grevas. Seu peitoral estava com o cavalo...
Alguns minutos depois – pois para vestir toda aquela armadura levava-se algum tempo – Emrick já estava armado como um verdadeiro cavaleiro, ou melhor: como Caleb. Montou Galhofas e olhou mais uma vez para seu patrocinador:
- Adeus Caleb, obrigado por tudo.
- Não me deixe aqui! Vai anoitecer e os animais me comerão vivo! Que é o que eu faria com você seu ladrãozinho bastardo!
- Acho que está mais do que provado que não sou um ladrãozinho de meia tigela, como diz, e sim: O Maior Ladrão de toda a Inglaterra! Como os dizeres acima da sua cabeça dizem. Além do mais, seu garotinho paspalhão, digo, paspagem... opa, pagem... eu quis dizer pagem. Ele deve chegar a qualquer momento. Não devias tê-lo deixado para trás, para vir atrás de mim.
Emrick então, dali seguiu para uma conhecida cidade portuária, não podia aparecer em Névoademar com o equipamento de Caleb. E tampouco podia continuar muito tempo na Inglaterra. Lembrou-se então do campeonato descrito na carta e pensou:
- Porquê não?
~*~*~*~
- Foi assim que todos nossos heróis partiram finalmente para a maior aventura de suas vidas. Claro que eles ainda não faziam nem idéia de em que iriam se meter. Mas isso, vamos deixar mais para frente. Não quero estragar a história.
- Vocês devem estar pensando: Heróis?! Esses homens são um bando de asnos desocupados, todos atrás de uma bela moça para casar e um bom pedaço de terra para cultivar.
- Apenas esperem e acompanhem o desenrolar da história.
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