Sugestões, Pedidos e Dúvidas

Bem, espero que todos sintam-se livres para requisitar trabalhos específicos, sugerir procedimentos de postagem, fazer algum pedido ou tirar qualquer dúvida.

Agradeço pelas visualizações, mas agradecerei ainda mais pela participação no trabalho! Sintam-se livres para comentar e participar da construção das obras que serão para todos nós!

Se não quiserem fazer isso diretamente aqui, em alguns dos posts, há ainda a página no facebook



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3 de agosto de 2015

Cursos de Técnicas e Práticas Narrativas




Você, de Niterói e arredores, que curte escrever, criar ou contar histórias ou joga um RPG com os amigos de vez em quando. O que acha de se juntar a uma galera que trabalha com isso para discutir, aprender e desenvolver novas ferramentas de criação?

O curso vai se dividir nos seguintes módulos:
Criação de Personagens
Criação de Enredos
Criação de Universos
Expressividade Narrativa

O que mais desejamos é que as pessoas que participarem tragam suas ideias, suas propostas, suas histórias, por que acreditamos na construção coletiva. Por mais que nós preparemos as propostas de atividades para as aulas, apresentemos os materiais que usamos e tudo o mais, queremos aprender com vocês também, ouvir suas histórias e suas técnicas.

Nós do Vivendo a História (Link da Página para quem não conhece)
Vamos nos basear principalmente nas ferramentas que os Sistemas de RPG nos apresentam. Vamos explorar as formas de criação dos Storytellings, D&D, Gurps, CODA e vários outros.



Por que usar o RPG como ferramenta de aprendizado?

O Vivendo a História é um Projeto Pedagógico todo baseado no uso de Jogos, principalmente os de RPG. No caso da Literatura, o RPG não deixa de ser um grande laboratório de experimentação sobre como criar e contar histórias. Para o Teatro e Cinema ele ainda adiciona todo o teor interpretativo, e gera um resultado automático de aceitação do público, já que você está produzindo uma história em grupo, seja você o narrador ou um personagem.

O RPG nos permite criar muitas coisas, põe frente a frente as decisões do narrador e dos jogadores, quase como um Brainstorming, desenvolve a criatividade e a capacidade de improviso e muitas outras coisas que vamos buscar explorar ao longo do curso.

Por isso convidamos todos a participarem de nosso primeiro encontro, onde discutiremos as propostas de cada módulo e começaremos a criar!



Separe sua tarde de sexta para nos encontrar na Blueberry Pie (Link para quem não conhece ^^)
Aproveite para tomar um café especial delicioso e experimentar cada delícia que aquele lugar tem para oferecer!

Espero vocês lá!

11 de fevereiro de 2015

Schneider sai de férias! - Texto de Mateus Nascimento



Teorizando sobre (des)funções humanas na contemporaneidade: Schneider sai de férias! 


 
            Quando tratamos do séc. XXI da perspectiva do ocidente, assistimos (em ambos os sentidos; à saber: ver e apoiar) diversos discursos acerca do homem contemporâneo. Neste texto quero focar em um deles: a desumanização ascendente e contínua do indivíduo. Assim, sigo: a. apontando as características dessa perda de humanidade; b. questionando sobre o que entendemos como humanidade; c. fazendo uma análise da palavra raiz no contexto contemporâneo; d. propondo uma nova humanidade contemporânea sustentável. Acho por bem que os quatro objetivos, por conta de sua extensão e consistência teórica, só poderão ser entendidos na forma de uma historietas então, divirta-se!

***

            Em dezembro de 1993, Schneider tinha vinte anos completos. Fizera aniversário a pouco e decidiu comemorar dando-se uma viagem – desnecessário dizer pra onde. Pensava nesta viagem há muito tempo mas, nunca teve condições de realizá-la antes, por conta de sua condição financeira. Ele é filho de servidores públicos, mas seus pais investiram pesado em educação – algo caríssimo à época – e, por isso, nunca teve muitos luxos. Sabia consideravelmente de muitas coisas e sua especialidade em conversas e/ou discussões eram os assuntos relacionados ao Japão e sua cultura pop. Mantinha debates gostosos com amigos sobre os signos e mensagens (à lá semiótica) das animações, comumente chamadas de anime. Sabia também tocar piano, sua paixão infantil, na qual gastou anos e anos de estudo e dedicação.

            Enfim, era um pequeno notável e decidiu se recompensar – recompensar é a palavra exata pois ele havia passado em provas de ingresso aos cursos universitários de várias faculdades em função de sua disciplina de estudos (estamos falando da ordem acordar/estudar/ almoçar/estudar/dormir/ em todos os dias da semana, exceto domingo quando se entendia com suas práticas religiosas). Almejava a carreira de professor, uma profissão para ele nobre e honrosa.

            Era o dia dez de janeiro quando finalizou os trâmites burocráticos de seu périplo (compra de passagem, emissão de passaporte, preenchimento de protocolos na embaixada) e começou a pensar sobre o que iria levar na mala. Começou com um livro, cinco pares de tênis, cinco calças, cinco blusas estampadas e vermelhas, nécessaire de artigos de higiene pessoal, meias e cuecas de sobra, sua câmera recém adquirida para o percurso, e um aparelho com diversas músicas clássicas para escutar em momentos propícios. Tudo isso numa mala larga e ao mesmo tempo prática – ele sabia arrumar as malas como ninguém, de modo que fez caber tudo sem muita dificuldade. Com isso, o tempo passou e o dia chegou: a hora da partida. 

            Em janeiro de 1994, Schneider se dirigiu para uma viagem atípica. Sua viagem era mais um símbolo daquilo que estaria prestes a fazer. A expressão ‘Schneider saiu me viagem’ não era a mais adequada ali naquele momento; o certo seria dizer que ele estava saindo em peregrinação. Chegou ao aeroporto sozinho. Seus pais queriam acompanhá-lo para aquele adeus tradicional dos familiares em aeroportos, mas ele insistiu que precisava fazer isso sozinho. A viagem seria pra ele uma libertação dos fatos reais. 

            Pessoas se matam uma vida inteira para conseguir superar outros que nem conhecem; são inseridas numa lógica seletiva absurda e imoral; são postas a provas de verificação que atestam, por meio de uma simbologia inadequada, absolutamente, merda nenhuma se não que um ou outro pode ser melhor por números diferentes. À esses fatores devemos pensar Schneider: um menino inserido numa dinâmica externa de rendimento e produção. Não à toa, ele decidiu viajar; precisava se repensar. Viu-se cercado do vai e vem do saguão. Um lugar sombrio e curioso: como é possível ter em sua volta um sem número de pessoas, de carne e osso, mas formalmente mecanizadas, processo contínuo e aceito contemporaneamente, e sentir-se sozinho? Onde estamos que nossas relações tornam-nos próximos de distantes e distantes de próximos? Era o que Schneider almejava descobrir em sua viagem. 

            Sacou um caderno de notas e rabiscou, como que para afirmar a memória em tempos futuros, as seguintes palavras que lhe surgiram em pensamento de repente: Invertemos a ordem dos fatos! Raízes sustentam folhas e não folhas oprimem raízes. Guardou o caderno e seguiu para o portão de seu avião, nesse ínterim pensava em como tudo aquilo lhe parecia uma dança, de movimentos duros e ritmo inumano, do qual, em peregrinação, tentaria fugir ou abstrair.

***

Autor: Mateus Nascimento

            Texto extremamente profundo e provocador. Cada frase precisa ser digerida com cautela. O debate que este texto promove é verdadeiramente encantador. Vou, por bem, pô-lo na aba de educação, que acho que é onde melhor se encaixa, de modo geral, já que boa parte do seu debate, a envolve de maneira absoluta. (Uma pequena nota de Estevão Balado)

29 de janeiro de 2014

Educação - Questionar também é aprender?



Uma possível resposta.


Quando aconteceu aquela guerra? Qual o nome daquele personagem? Onde ocorreu tal evento?
Como funcionava determinada política? De que forma se deu esta revolução?

Estas perguntas costumam aparecer com uma frequência decepcionante nas aulas de história, seja das escolas, seja das universidades. Mas não acho que elas sejam um verdadeiro problema quando partem dos alunos, curiosos e interessados nas descobertas do passado, e no conhecimento que ele pode nos proporcionar. Quanto mais próximos do princípio de sua travessia pelos densos campos do conhecimento, mais comum é buscar pelas respostas prontas.

Contudo, é responsabilidade do bom educador, ao meu ver, mostrar aos alunos que este tipo de informação, pura e simplesmente, por mais interessante, ou importante que possa ser, não é o que nos ajudará a crescer, intelectual e socialmente. Por que elas, por si só, como meras informações, que podem ser facilmente encontradas em qualquer site ou enciclopédia, não contribuem para uma reflexão e um questionamento que nos leve a repensar nossos próprios conceitos, não necessariamente com o intuito de transformá-los ou sequer de adequá-los, mas, pelo menos, de legitimá-los. De pô-los e nos pormos à prova.

E, com isso em mente, o professor peca, quando, em suas avaliações, ou ao longo de suas aulas, demonstra e exige dos alunos as respostas para este tipo de pergunta, o que faz com que estes acreditem estar aprendendo o que vai lhes ajudar (ou não) mais tarde. Sendo assim, um Educador que se valha da disciplina História para educar outros seres humanos deve ter isso em mente.

Mesmo que exponha os fatos históricos, junto aos alunos, que julgue interessantes para a construção de um conhecimento posterior, e isso, muitas vezes, é fundamental, o Educador deve sempre atentar para a necessidade da reflexão, do questionamento, do aprimoramento da sensibilidade dos educandos para a compreensão das mais diversas culturas e sociedades, relações pessoais que se constroem dentro e fora delas, sabendo ainda que o que se vê nos livros ou nos filmes não passa de um ponto de vista, de modo a verificarem que, ao longo de um período de estudos debruçados sobre esta disciplina, educandos e educadores puderam construir, discutir, questionar, refletir sobre e observar em si e nos outros como este conhecimento foi absorvido, composto, modelado, dotado de diversos significados e igualmente capaz de dotar outros conhecimentos.

Isso que proponho, de forma alguma exige mais ou menos 'trabalho' de um professor, apenas supõe que ele abra mão de sua centralidade no espaço convencional de ensino, propondo uma participação mais ativa por parte dos alunos. Já que estes, com suas diversas vivências, informações e conhecimentos, além de, com suas personalidades, seus anseios e suas ideias, podem, e certamente vão, contribuir em muito para os debates e discussões que envolvam os mais diversos temas históricos.

Assim, as perguntas que expus no início deste trabalho sofreriam algumas mudanças e, ao invés da versão dada, teriam sua aparência mais próxima disto: Por que aconteceu aquela guerra? Por que o nome daquele personagem 'sobrevive'? Por que ocorreu tal evento? Por que funcionava determinada política? Por que se deu esta revolução?

Muito disso que escrevi, e que penso, vem sendo montado em minha cabeça à partir das experiências que tive junto à equipe de educadores do Projeto Construindo o Saber, onde leciono, também junto de meus maravilhosos companheiros e membros do Projeto Vivendo a História, e na universidade. Estes espaços riquíssimos de discussão permitiram e forçaram a minha reflexão sobre educação, me fizeram olhar para meu ensino básico e médio com outros olhos, para a minha vida, para minhas relações pessoais com o mundo.

E muitos dos meus atuais questionamentos giram em torno das seguintes perguntas: Por que vamos a escola/universidade? O que fazemos ou o que deveríamos estar fazendo lá? O que é conhecimento? Apenas "conseguimos" conhecimentos na escola/universidade? Por que dizem que provas avaliam Conhecimento? Qual a minha função enquanto educador? É possível chegar a uma "verdade" para cada uma destas perguntas?

É possível chegar a uma verdade?